O descontentamento do peixe grande

O DESCONTENTAMENTO DO PEIXE GRANDE

 

Numa poça isolada do rio grande, vivia uma colónia de peixinhos.

Eram muito amigos uns dos outros e reinava a paz no local. Havia, no entanto, um peixe grande e orgulhoso que estragava um pouco essa harmonia. Resmungava quando os peixinhos se aproximavam dele e queria para si tudo o que havia de melhor.

Um dia, um dos peixinhos, numa tentativa de se libertar dele, disse ao peixe:

- Só me admiro que não vás viver além, no rio grande! Esta poça é muito pequena para ti. Lá, terias companheiros mais distintos do que peixinhos como nós.

O peixe meditou nas palavras do outro e convenceu-se que, de facto, estaria melhor no rio grande, cercado por peixes do seu tamanho e importância. -"Estou farto destes peixinhos!"-pensou.- "São tão ignorantes e irrequietos! Quando vierem as chuvas e as inundações, poderei sair desta poça e nadar até ao rio. Vai ser um prazer conviver com os meus semelhantes!"

Não tardou muito que as águas das chuvas cobrissem a terra e foi fácil para o peixe nadar até ao rio. Que diferente era tudo: as rochas eram maiores, as plantas maiores também e os outros peixes...eram grandes de mais!

Descansava um pouco ao pé de umas pedras grandes que formavam uma gruta, quando sentiu a água a mexer-se atrás de si e quatro peixes enormes se aproximaram e o empurraram para o lado, sem cerimónia nenhuma:

- Sai daqui, peixinho! Não sabes que esta gruta está reservada para peixes como nós?!

"Peixinho"! Ele?! De facto, a vida no rio era muito diferente. Que maus modos tinham estes peixes! Podiam tê-lo avisado doutra maneira!

O peixe escondeu-se numas algas próximas, mas pouco tempo pôde descansar, pois dois peixes grandes, pretos e brancos, deram com ele e atacaram-no com a boca aberta e intenções evidentes de o comerem! Fugiu muito depressa, nadando com toda a sua força e teve a felicidade de conseguir introduzir-se na fenda de uma rocha antes que aqueles dentes afiados lhe mordessem. Que susto! Então, era isto a vida do rio? Era essa a convivência com peixes de importância?

Começou a ter saudades do sossego da sua poça e da companhia dos peixinhos que, pelo menos, eram pacíficos!

Uma mordidela pôs termo às suas reflexões. Mais uma vez, viu-se obrigado a fugir. Escondeu-se no lodo, no fundo do rio, e tomou uma decisão: voltar para a poça quanto antes!

Foi  uma  viagem  bem   penosa,  porque  teve  de  nadar  contra  a corrente, e quantas vezes arbustos e árvores lhe impediam a passagem! Quando, finalmente, alcançou a sua poça, sentiu uma alegria e um alívio muito grandes. No final de contas, que bonita  que era e que bem que se estava ali!

Os peixinhos concordaram entre si que a viagem tinha feito bem ao peixe grande; já não resmungava tanto e estava sempre pronto para contar as aventuras no rio, o que os divertia muito.

 


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